Quinta-Muito-Manca

By Tess

Lembrem-me de que ainda tenho 3 textos para escrever além desse em que conto como consegui, da maneira mais estúpida possível, fraturar o quinto metatarso do meu pé esquerdo. É, exatamente! Justo no dia quando resolvi parar de reclamar da vida, quando resolvi sair com pessoas divertidas para uma quinta-muito-louca-não-original, tenho que cair e fraturar o pé. Só acontece comigo mesmo. Só comigo! 

Desde que conheci a Bel no trabalho, ela sempre me falava de uma festa tal chamada de “Quinto”. Quinto isso, quinto aquilo. Nessa quinta, resolvi ir. O plano era encontrar as pessoas no estacionamento ao lado da UDF, em frente à ASCEB, onde acontece a festa (na ASCEB, não no estacionamento). Combinadíssimo. Perto de casa. Ótimo! Mas, como em todo lugar em Brasília, a falta de estacionamento é crônica, tive eu de parar o carro lá onde Judas perdeu as meias. Ahn? As botas…? Não! As botas ele perdeu um pouco antes. E como onde Judas perdeu as meias não tem estacionamento em 45 ou em 90 graus, acabei parando de baliza – o que não é exatamente a minha especialidade.

Depois de perder meia hora tentando fazer uma baliza decente, desisti. Parei mesmo a uns 2 palmos – bem abertos – da calçada e fui toda lampeira encontrar a Bel e os amigos dela de quem ela tanto falava. Todos uns queridos. E foi chegando as 22h30, final das aulas na UDF, e o estacionamento começou a ficar magicamente vazio. Naturalmente, fui buscar o meu carro na casa do Judas. Foi quando tudo começou. 

No longo caminho fui pensando como foi legal eu ter resolvido finalmente sair com a Bel e os amigos dela, como as pessoas eram divertidas e como a noite prometia ser muito bacana. Vejo meu carro, já sozinho na rua. Abro a porta e piso no espaço daqueles dois palmos que deixei entre o Punto e a calçada. Era realmente um espação. E ao invés de rua, um bueiro. Não daqueles com grade – e então eu poderia culpar nosso querido governador por ele estar aberto; era um bueiro daqueles que são um buraco que vão pra dentro da calçada e na rua é como se fosse uma descida de rampa de estacionamento – resguardadas as proporções do bueiro, claro. 

Não vi a porcaria do buraco e pisei com tudo no inclinado como quem esperava pisar num solo reto. Depois disso, ouvi uns 5 estalos, vi 15 mil estrelas e Caramba! Caramba! Caramba! Ai! Ai! Ai! Caramba! Caramba! Caramba! Ai! Ai! Ai! Caramba! Caramba! Caramba!

Respirei fundo, entrei no carro (porque eu caí na porta do carro… não no chão, na lateralzinha do carro) e levei meu carro para o estacionamento onde estavam as outras pessoas. No caminho, não pude evitar de pensar que em outros tempos eu iria diretamente pro hospital. O médico iria dizer que eu torci o pé, que não foi nada grave e que nada que 7 dias com uma botinha de gesso não resolvessem. E como seria bacana todas as pessoas bajulando, ligando, etc. E naquele momento, se eu tivesse com paciência para encarar esses 7 dias, iria para o hospital. Como eu não estava, fui encontrar a Bel. Sabia que ia mancar um pouco, mas nada que um pouco de gummy não curasse.

Perguntaram o porquê de eu estar mancando. Ah! Não foi nada demais… Pisei num bueiro só, olha! E o meu pé tinha na lateral algo que parecia uma veia muito, muito inchada. Ouch! Sentei no banco do carro da Bel e continuamos lá, alegres e satisfeitos. Até que a veia muito, muito inchada começou a virar uma bola enorme. Enorme. Cada vez maior. Mas como não estava mais doendo, contanto que eu não mexesse o pé, continuei sentada conversando com as pessoas legais. Eles até me arrumaram um gelo, que pus num desses saquinhos pra viagem do Giraffa’s. Era a única coisa que tinha para não pôr o gelo diretamente sobre a pele e foi bem eficiente. Meia hora depois, a impressão era a de que a bola do pé tinha diminuído. Na verdade, era o pé que estava mais inchado como um todo. Hora de ir pra casa.

E dirigir como? Bom, a gente sempre dá um jeito. Pus o banco do carro bem perto da direção e fui apertando a embreagem com o calcanhar. Devo ter estragado em 5 minutos de percurso o que levaria meses para danificar da minha caixa de marchas, mas faz parte. Cheguei em casa por volta da meia-noite, acordei minha mãe e avisei que talvez devêssemos ir ao hospital, mas só na manhã seguinte. Tudo bem. Assim acordado, assim feito.

Na sexta de manhã parecia que eu havia tido um surto de elefantíase durante a noite. Meu pé machucado estava o dobro do tamanho do outro e fomos direto para o hospital. Quando o médico falou que poderia estar quebrado, antes da radiografia, não levei muito a sério. Afinal, eles sempre falam o pior. Fui tirar o raio-x e toda entendida quis olhar antes do médico. Ah! Não tem nada! E de certa forma eu tinha a esperança de que tinha sido apenas uma torçãozinha de nada e de que 7 dias de gesso não me matariam. Voltei ao médico e BAAAM! 40 dias de atestado médico e de gesso. Como assim?

Meus olhos pouco treinados não viram a fratura no quinto metatarso. E quando o rapaz que fez o gesso teve de alinhar o pé para que a imobilização ficasse no ângulo correto, não consegui conter o choro. Não sei se foi a dor, realmente, de pôr o pé no lugar ou o meu desespero frente a 40 dias de gesso. Como fica a UnB? E o trabalho? Céus! O Congresso é em novembro! Não posso me dar ao luxo de ficar 40 dias em casa, por mais que precise ou queira. Como vou dirigir? E não dá nem pra dizer que vou andar de ônibus. E os táxis que não sabem chegar na FA? 

Bom, ainda não sei ao certo como hei de fazer. Semana que vem não trabalharei, venho da UnB para casa. E na semana seguinte, vou da UnB pra Secretaria, na medida do possível e da necessidade. Vou mofar, onde quer que esteja. Ai, nããão! Mas, bem… Até agora já recebi visitas, ganhei chocolates e até um Play Station 2 emprestado. Divertido não será, mas pelo menos terei bastaaaante tempo em casa – pelo menos na semana que vem – para fazer várias coisas, inclusive escrever posts super longos como este.

3 Respostas para “Quinta-Muito-Manca”

  1. Gustavo Disse:

    Putz! Que merda, heim? Se precisar de carona é só avisar, viu? Beijo e se cuida!!!

  2. Karolina Disse:

    Ai que dó (e dor).

    Beijo

  3. fatima Disse:

    Oi, fraturei meu quinto metatarso, e quando procurava no google achei o seu blog! tbem estou na mesma situação que vc, desesperada, muittrabalho, faculdade e compromissos!!!! Mas me conta, vc ficou com alguma sequela? a recuperação demoro muito?
    um abraço

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