Desanuviando

By Tess

Estou há dias com vários textos engasgados. Mas engasgados mesmo, porque ainda não consegui que saíssem. Quem me conhece sabe que escrever para mim, mais do que ossos do oficio de estudante, às vezes é também uma maneira de desanuviar a alma. E quem tem convivido comigo no último ano entende que o fato de eu não ter escrito nada de uns tempos pra cá significa uma coisa boa.

Boa. Mais ou menos. Significa também que eu estava com todos os meus objetivos claros, e que estava fazendo o meu melhor para alcançá-los. Ou talvez não estivesse fazendo o meu melhor, talvez estivesse só curtindo a preguiça de um dia automático, de casa para o trabalho, para a UnB, para casa. E é ótima a sensação de não ter de se preocupar com nada, mas isso nunca rendeu a mim bons textos.

Costumo dizer que minha vida é um livro aberto. Sempre foi. Dos 15 aos 20 anos escrevia quase diariamente sobre o meu dia, os meus problemas, as minhas aflições. Sempre tinha algo pra contar. Começou com uma paixonite que tive pelo meu professor de inglês do 1o ano do colégio. Meninas… Sempre às voltas com meninos. E para provar que desde sempre eu só me ferro, essa paixonite começou a namorar minha então melhor amiga no final de 2002, logo que deixamos de ser alunas dele. Pelo menos eles estão juntos até hoje.

Os modelos começaram no 1o ano também e foram outro motivo por que eu gostava de escrever. Era modeleira de carteirinha, para ser bem redundante, mas era ainda o tipo de modeleira que fazia resoluções durante as festas, ficava no quarto escrevendo e sempre ganhava prêmio, o que era o mais importante, claro. Uma versão secundarista do que hoje chamamos nos modelos universitários de “vendidos”. Confesso. E ainda sou um pouco assim hoje, com a diferença de que no 2o ano, mais especificamente no IV Mini-ONU, eu descobri as festas de modelos.

Foi quando tive minha segunda paixonite. Para falar a verdade, ele foi um divisor de águas e tanto na minha vida de relacionamentos. Casarões. Todo mundo sabe. Um cara brilhante. Um bom amigo até hoje. Não durou muito, fato. Distância e tudo mais. E logo ele começou a namorar, então acabou. Acho que a história também rendeu alguns textos. Nessa época, andava grudada com o Cédric e a Gabi, as duas melhores companhias que eu podia querer.

Eu reclamava para o Cédric:

- Ele está com ooooooutra!

E ele respondia, sem muita cerimônia:

- Ahhh! Se fudeu!!!

E eu batia nele. E ria. Ria mais do que tudo. Nada como um amigo que sabe expressar a mais pura verdade em um tom que é quase cruel, mas sem o ser. A Gabi sempre foi mais dura comigo nesse sentido, mais sensata também. Costumávamos, nós três, sempre sair pra comer. Íamos principalmente para a Zimbrus na época em que a Zimbrus só tinha sanduíche, açaí e sorvete. Sem contar os programas de aventura, como andar até o Pontão do Lago Sul na época quando o Pier 21 ainda era novo; ou pedalar 10km no Parque da Cidade e logo em seguida até a 24 do Lago Sul, pela recém-inaugurada Ponte JK. Foi um pôr-do-sol memorável aquele. Bons tempos.

A Gabi também participava de modelos e era do mesmo colégio. Hoje é minha colega de Política na UnB, nos esbarramos de vez em quando. E fora as meninas do Direito, para falar a verdade, todas as pessoas mais próximas a mim hoje eu conheci por causa dos modelos, direta ou indiretamente. A partir disso, são mais de 1000 páginas de textos. Do final de 2003 até meados de 2007. Muito pano pra manga que vai ficar pra depois.

Uma resposta para “Desanuviando”

  1. Luana Disse:

    Engraçado vc flar do IV Mini…foi exatamente quando eu comecei com essa história…
    Eu ja fui mto de escrever tbm, hj em dia nem tanto. Queria retomar o hábito, mas nao consegui ainda.

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